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07/07/2017 - 18:18h
Jovem vira fotógrafa profissional e supera depressão pós-parto
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Foto por: RD News
Fonte: RD News

Apesar de bastante jovem, tem só 26 anos, Lilian Fertonani já enfrentou batalhas que pareciam-lhe invencíveis em pelo menos quatro ocasiões. Acometida por uma depressão profunda, encontrou a cura espiritual por meio de orações, mas a física e mental chegou por meio de seu hoje ofício e ganha pão: a fotografia.

O problema atinge entre 10% e 20% das parturientes, segundo a American Psychiatry Association. Mais comum nas primeiras semanas, pode acometer as novas mães até o terceiro mês de gravidez; entretanto, chega a haver casos até o sexto mês após o parto.

Com Lilian, chegou de maneira repentina, ainda que atrasada e, exatamente por isso, completamente inesperada, e a trazer um problema adicional – o diagnóstico tardio, devido à ausência de sinais identificáveis, por ela mesma e sua família, mesmo os mais próximos. Jamais tivera episódios conscientes ou qualquer outro sinal de depressão até ali.

Estudava, trabalhava, não conhecera maiores problemas sociais. Jovem, bonita, inteligente, engraçada, namorou, casou com quem amava -- um homem que pediu sua mão quando ambos tinham apenas oito anos, foi embora para a Espanha na adolescência e com o qual perdeu o contato somente para se reencontrarem depois de 10 anos de separação e aquele pedido, feito na infância, ser renovado e, enfim, aceito.

Tudo parecia perfeito até as tais sombras vaporosas, aludidas por Goethe em seu Fausto, virem ter com ela. Maiores problemas econômicos também não a acometiam. Supervisora de um banco, levava uma vida descrita por ela própria como “conto de fadas”. Nesse tempo, para ocupar as horas vagas, ganhou uma máquina fotográfica da atual sogra, mas tirava fotos apenas como hobby, sempre que pediam.

A vida se assemelhava a um conto de fadas. Até que a depressão pós-parto chegou e a tomou de surpresa

O noivado se consumou em casamento, e o resultado óbvio dele veio. Grávida, tirava selfies da barriga (aprendeu um pouco mais de fotografia só para registrar o processo), passava horas ajeitando o enxoval, fazia cuidados de horas com o quarto, os móveis, as coisas da nova vida anunciada. E ela veio. Mas chegou acompanhada também daqueles desvios típicos do caminho de todo mundo.

“Eu e meu marido decidimos que seria melhor eu me dedicar somente à casa, pra criarmos melhor nossa filha. Foi uma decisão pensada e analisada, tínhamos certeza de que era o melhor pra nossa família”, lembra Lílian, “mas passou um mês dessa decisão e ele foi mandado embora do emprego. Ficamos ambos sem trabalho e com uma criança pequena pra criar”.

Mas não foi o suficiente para que o casal esmorecesse. Começaram a pensar em soluções para o revés. Enquanto o marido prestava pequenos serviços, ela passou a se dedicar mais profissionalmente à fotografia.

Começou então a fazer coberturas de aniversário, batizados, casamentos. Tudo com cachês impublicáveis, de tão baixos. De qualquer forma, estava contribuindo para o sustento da família. A gravidez então terminou, chegou o parto, a mãe dava uma força para cuidar do bebê. As coberturas retornaram logo depois do período de recuperação do parto. Havia cada vez mais chamadas para trabalho. Tudo estava bem. Ao menos na superfície.

“Um dia, no meio de uma cobertura, comecei a sentir falta de ar, a tremer, minha cabeça girava durante uma festa de aniversário que fotografava”. O barulho da música, de pratos e talheres, vozerio e das pessoas pedindo fotos tornavam-se uma massa só. E tudo se confundia. Achou que era só um momento de estresse, foi para casa, tomou um calmante e dormiu. Ao acordar no dia seguinte, entretanto, sabia que as coisas não eram mais como antes.

“Cada vez que alguém falava em cobrir um evento, eu começava a tremer. Se tentava sair de casa pra me distrair, eu entrava em desespero, achava que ia morrer”. A família decidiu levar Lilian para tratamento psiquiátrico e acompanhamento psicológico. O diagnóstico: estava com síndrome de pânico e depressão pós-parto. Em casa, a situação se agravava, ela não queria falar com ninguém, nem sair de casa e sequer conseguia pegar a filha nos braços.

Pensou em se matar inúmeras vezes. Tentou levar isso a cabo quatro. Algumas delas com os remédios do tratamento psiquiátrico. O amparo veio de três lugares – a prima, melhor amiga da vida inteira, orações diárias (da família até então, e dela na resolução final do problema) e, por fim, a fotografia. “Tudo era ainda mais confuso porque a síndrome do pânico me dava medo de morrer, mas a depressão me levava a querer me matar, como forma de acabar com minha dor”.

Lilian Fertonani

Lilian Fertonani

Lilian hoje consegue ajudar no sustento da família com seu trabalho em fotografia

Quando tudo parecia sem saída, ela finalmente se rendeu e pediu a Deus meios de se livrar dos problemas psicológicos e retomar o rumo da vida para enfim cuidar da filha. Foi à igreja, participou de um culto, emocionou-se. Voltou, deitou e dormiu. “O dia seguinte parecia mesmo um renascimento. Tomei um banho, lavei a casa, arrumei tudo”. À tarde, voltou a fotografar.

Daí em diante não parou mais, como estava sem contratos pelo período difícil, começou a estudar por conta própria, aprendia tudo que podia sozinha. Rapidamente foi chamada para cobrir eventos novamente. Com o dinheiro arrecadado, investiu em um curso para aprender as técnicas de composição de melhores registros.

Hoje, não considera que superou um período difícil, mas que aprendeu a valorizar coisas simples como poder abraçar a filha, encontrar o marido ao fim do dia, sentir alegria e prazer no resultado satisfatório de uma fotografia ou, simplesmente, comer um bom pedaço de bolo com café. “Voltei com tudo e agora faço uma média de 12 eventos todo mês, mesmo com um equipamento modesto para o que preciso hoje”, comemora Lilian. "Não sei se você fala ou não em Deus, mas comigo aconteceu exatamente assim".

O valor que eu dou hoje a cada pequeno momento é a melhor coisa desta vida

O ganha pão está garantido (o marido abriu uma empresa de vigilância eletrônica que também vai de vento em popa), e a consciência de que a batalha contra a depressão é diária a mantém sempre alerta, para não mais ser pega de surpresa. Isso significa trabalhar, ocupar-se. “Minha agenda já está fechada até outubro. Eu fotografo há pouco mais de dois anos, é muito pouco tempo, mas pra mim é muito. E o valor que eu dou hoje a cada pequeno momento é a melhor coisa desta vida”.

Quem quiser contratar coberturas de eventos, books, ensaios pode ligar ou mandar um WhatsApp para (65) 99639-5574 e ver amostras do trabalho dela no perfil da empresa no Facebook.


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