O anúncio foi feito em coletiva de imprensa nesta terça-feira (15), quando os representantes legais das entidades apresentaram um déficit de custeio de R$ 12.760.968,00, valor cotado até julho de 2017.

Diante disto, os diretores decidiram suspender as atividades de alta e média complexidade desde o dia 07/08//2017, por falta de insumos e materiais básicos indispensáveis para o tratamento dos pacientes.

De acordo com a presidente da Federação dos Hospitais Filantrópicos de Mato Grosso (FEHOSMT), Elizabeth Meurer, a situação hoje é considerada extremamente grave e que foram apresentadas diversas alternativas e soluções para o poder público, todas sem sucesso.

“Não temos mais dinheiro para insumos, nem para medicação. Mas, nós abrimos caminhos para negociação. Enfim, nós colocamos todas as nossas dificuldades e deixamos claro que temos vinte e quatro horas para fechar as portas”, avisou a presidente.

Em média, os hospitais filantrópicos do estado atendem uma demanda de 60% dos pacientes do SUS (Sistema único de Saúde). Desse modo, os gestores da saúde entendem que o governo estadual, tem ampla responsabilidade de oferecer ao menos condições estruturais para manter os casos de urgência e emergência.
 
Em virtude dessa defasagem, o médico Marcelo Sandrin, que é obstetra e presidente do Hospital Santa Helena, em Cuiabá – um dos mais conceituados em atendimento à gestantes – reclama do quadro ineficiente explorado no Estado e lembra da falta de comprometimento das esferas governamentais em manter a manutenção  em dia.

“A assistência de saúde do SUS é de responsabilidade Tripartite. Nós não angariamos um real de impostos, nós recebemos para trabalhar e o problema é que compram a preços muito baixos os nossos serviços. Endividamos as nossas instituições e elas, infelizmente, não tem como dar assistência”, disse Sandrin.

Hoje os pacientes do interior e da capital cuiabana são atendidos diariamente nos hospitais, Santa Casa de Misericórdia, Santa Helena, Hospital Geral Universitário (HGU) e Santa Casa de Rondonópolis. Do total, quatro possuem divididos 672 leitos de enfermaria, 158 leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTIs) e 730 leitos comuns, que totaliza em média 1.040 equipamentos. 

“Uma das agendas foi solicitar ao governador do Estado que nos recebesse através do secretário Berluci. Nós abrimos a meia noite e fechamos a meia noite, cada um que fecha perde vinte mil reais por dia, devendo cem por cento dos seus leitos contratados pelo SUS”, disse o presidente do Hospital Santa Helena. 

Caso o repasse não seja feito nas próximas 72 horas, as cinco unidades não governamentais fecharão as portas, podendo colocar a vida das pessoas em risco.