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Agrícola
02/04/2018 - 18:00h
Desmatamento da Amazônia tem características próprias em MT e concentra ações do IBAMA
Região central, da grande Sinop (480 km de Cuiabá) a pecuária se restringe às áreas que não...
Foto por: Reprodução/Internet
Fonte: André Garcia Santana

 

Ao lado do Pará, na liderança dos estados que mais desmatam a floresta Amazônica no país, Mato Grosso também concentra os maiores números de ações do Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Renováveis (Ibama). Embora não pertença a região Norte, onde está distribuída a maior parte da vegetação, o Estado também faz parte da Amazônia Legal, apresentando singularidades na relação com floresta em comparação a vizinhos como o Pará, Rondônia e Amazonas.

Durante diálogo com jornalistas realizado na última semana, em Belém, o coordenador geral do órgão, Renê de Oliveira, falou ao Agro Olhar sobre algumas destas características, que mudam mesmo dentro do território mato-grossense.

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De acordo com ele, na região central, da grande Sinop (480 km de Cuiabá) a pecuária se restringe às áreas que não são agricultáveis. Já na região Noroeste, entre Aripuanã (949 km de Cuiabá) e Colniza (880 km de Cuiabá), predomina a exploração madeireira em áreas que, em um segundo momento, acabam se tornando pasto. É a madeira ilegalmente extraída nessa região que normalmente financia a abertura de áreas de pastagem.

“São muitas áreas da união ainda não destinada e essas pessoas tem como meio de vida transformá-las em pasto. Neste caso, a maioria dos infratores vive em pequenas propriedades. Na centro do Estado, por sua vez, o cenário é delimitado por grandes propriedades. A agricultura por si só diferencia o tipo de desmatamento”, diz.
 
Há que se considerar ainda que na região central do Estado a vegetação é caracterizada por áreas de transição entre cerrado e floresta amazônica. Logo, por não haver tanta madeira, a derrubada com correntão e tratores predomina. Nas regiões de floresta mais densa, mais ao norte, as características se assemelham se assemelham aos demais estados, ocorrendo com motosserra.
Embora não possua áreas vermelhas, MT não tem motivos para comemorar. 
“Esse toco restante fica ali, sendo queimado ano a ano. Para a agricultura é difícil utilizar esse espaço, porque é preciso que ele esteja completamente limpo para plantar. Já para a pastagem não. Depois de desmatar e queimar, aviões lançam as sementes. O problema é um só, independente do motivo, o problema é estar na ilegalidade. Se agricultores e pecuaristas mantivessem a ideia de só desmatar o que é permitido, não estaríamos nessa situação hoje”, reforça.

Que somos grandes produtores, não se discute, sabemos que a terra e o clima são bons, mas tem que ter limite. Dizem que é preciso produzir. Ótimo. O Ibama não é contra o setor produtivo, pelo contrário. Nós também sobrevivemos disso. Somos contra a ilegalidade. Pra que andar na ilegalidade, se é possível conseguir licenciamento e buscar a legalidade.

O que fica claro, contudo, é que ao setor não interessa a ilegalidade, que pode causar problemas como embargos judiciais, e sim adequar a lei a seus interesses. É o caso do código Florestal. A primeira versão, de 1965, foi alterada em 2012, inovando em algumas situações e mantendo outras.

“Alegar que mesmo na época da ocupação podia desmatar a vontade não é verdade. Há um descrédito à legislação ambiental. Alguns acreditam que as normas são difíceis de se cumprir, mas não é isso. É que ele não está conseguindo obter o lucro que desejava dentro das normas. Se tem legislação, tem que seguir, independente se é positivo ou negativo para sua atividade.”

Sem motivos para comemorar

Embora Mato Grosso esteja fora das áreas de aquecimento, apontadas pelo Ibama como as de maior preocupação, não há motivos para comemorar. Isso porque, como já mencionado, as características do Estado em relação ao Norte propiciam que o desmatamento ocorra de maneira pulverizada, ou seja, a distância entre uma área desmatada e outra é muito grande.

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Uma análise do Instituto Centro de Vida, mostrou que o Estado foi responsável por 20% de todo a devastação detectado na Amazônia no último ano. O Cálculo é feito com base nos dados divulgados pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e apontam que quase 90% dos mais de 1,3 mil km² de florestas desmatadas entre agosto de 2016 e julho de 2017 não tinham autorização do órgão ambiental.

Um levantamento do Ministério Público Federal (MPF) identificou 167 pessoas ou empresas responsáveis pelo desmatamento ilegal de 326 áreas da Amazônia em Mato Grosso, o que corresponde a um total de 26.565,96 hectares devastados. 



À época Secretaria de Estado de Meio Ambiente (Sema), destacou que está trabalhando arduamente para a redução do desmatamento ilegal em Mato Grosso. No ano passado, os dados consolidados da Sema também foram positivos e apresentaram uma diminuição, entre 2015 e 2016, de 16% na Amazônia, que reduziram de 1.453,67 km² (2015) para 1.216,66 km².

Sendo assim, as ações do IBAMA se concentram em duas áreas principais. Na região da grande Sinop, Claudia, Marcelância e Feliz Natal, onde se concentra a maior problemática pela característica de transição entre cerrado e Amazônia. “Em pouco tempo se consegue desmatar uma grande área. Ou, em apenas um incêndio florestal se consegue abrir uma grande área, porque há menos madeira, menos árvores de grande porte, o que facilita para desmatar.”

A outra área está na região noroeste, em Colniza, onde muitas áreas da União ainda não foram destinadas. Além disso, por ser distante de grandes centros e mais na fronteira com a Amazônia, a terra é mais barata, o que atrai muitos grileiros. “Essas pessoas vem para furtar uma madeira que pertence à União, capitalizam e transformam o lugar em pasto. Muitas vezes colocam um pouco de gado ali, mas o interesse é mesmo a especulação imobiliária, para que, daqui a poucos anos, a área valha até cinco vezes mais do que quando chegaram.”

Há ainda uma série de fatores que incentiva o desmatamento ilegal, como ano político, ou a época em que foi aprovado o novo Código Floresta.  “Muitas pessoas acharam que se desmatassem antes da edição da lei, teria sido anistiado. E o Estado como tem uma ocupação mais antiga que o estado do Pará e do Amazonas, também tem outras características. Muitas áreas já foram abertas e o hoje o desmatamento recai naquelas que não foram desmatadas 20 anos atrás”, explica Renê.

 


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