Bem vindo ao Visão Notícias - 17 de Outubro de 2017 - 14:39
12/06/2017 - 15:09h
Vizinho de imóveis demolidos teme que sua casa seja afetada
“Quero morrer nessa casa”, disse Benedito Addor, que vive há mais de 50 anos na Ilha....
Fonte: Mídia News

A demolição da Ilha da Banana, entre a avenida Coronel Escolástico e o Morro da Luz, no Centro de Cuiabá, começou na manhã deste domingo (11). Porém, o economista Benedito Addor, de 64 anos, que vive há mais de 50 no local, não planeja sair de sua residência e teme que a casa seja afetada com a demolição.

Segundo o morador, o secretário de Estado das Cidades, Wilson Santos, junto a alguns vereadores, esteve em sua residência na manhã desta segunda-feira (12).

“Ele falou que as casas do lado serão todas derrubadas. Só que as casas são germinadas, uma parede é colada na outra. Se ele bater na casa do lado, afeta a minha”, disse Benedito.

O economista afirmou que é muito apegado ao imóvel por causa de sua família.

“A minha mãe faleceu na casa, o meu pai faleceu, velhinhos. Eu já estou com 64 anos. Quero morrer aqui também. Quero seguir essa tradição”, falou.

Ele explica que se o Veículo Leve Sobre Trilhos (VLT) passasse exatamente onde está a casa, não teria o que questionar, mas que o VLT passará atrás e, por isso, há espaço suficiente.

“Eu conversei com um engenheiro de patrimônio histórico e ele falou que ele [VLT] não passa na Ilha da Banana por causa da curva que existe entre a Coronel Escolástico e a Prainha, que é muito acentuada, muito fechada. O VLT não faz essa curva”, contou.

Segundo Addor, por causa dessa curva, o VLT precisaria cortar o Morro da Luz. O economista disse ainda que irá protocolar uma representação no Ministério Público Federal na tarde desta segunda-feira (11), pedindo uma opinião sobre os itens que afirma ter a seu favor.

“A normativa do Iphan [Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional de Mato Grosso] fala que a casa está preservada. Então eu pergunto a eles se a instituição funciona, ou não funciona. As declarações que o Iphan me deu, pergunto se vale o que está escrito. A propaganda oficial do VLT fala que a casa não atrapalha. E no processo, fala que se não tirar o VLT, não passa”, disse.

Sobre a aprovação de muitas pessoas à demolição, por causa dos usuários de drogas que moram no local, Benedito disse que isso só aconteceu porque o Governo expulsou os comerciantes e moradores da Ilha.

“O Governo deveria ter cuidado quando desapropriou. O local abandonado foi invadido, mas de fato foi o Governo mesmo que abandonou”.

Benedito Addor trava uma luta para não sair de sua casa desde abril de 2013. Além de sua casa, há somente mais um imóvel, dos quinze, que o Governo ainda não conseguiu autorização na justiça para desapropriação.  

O projeto

O projeto inicial para o local, apresentado pela extinta Secopa (Secretaria Extraordinária da Copa do Mundo), previa a retirada de todas as casas da Ilha da Banana para que os vagões do VLT subissem pela Rua Bernardo de Antônio Oliveira Neto, que passaria a ser mão-dupla.

Já a Avenida Coronel Escolástico, em frente à Igreja do Rosário, na pista que faz o sentido Coxipó-Centro, seria bloqueada, dando lugar ao Largo do Rosário.

Após os primeiros embates dos moradores da região, o projeto foi mudado.

O "Plano B" previa apenas a demolição de metade da Ilha para a implantação da via permanente do VLT do Eixo 2 (Coxipó-Centro).

As casas que permanecessem teriam, no seu fundo, a edificação de um muro de aproximadamente cinco metros para possibilitar a subida do VLT.

Isto porque é necessário o corte do Morro da Luz para diminuir sua atual inclinação, que é de 13%, para 8%, a fim de que o modal possa subir sem grandes problemas.


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